quarta-feira, 25 de agosto de 2010
O que é mais importante!
É estranha essa coisa de morrer, nascer, viver, etc. Estou com 50 anos e ainda não sei o que pensar disso tudo. Sou um observador da vida, suas manifestações, seus mistérios e suas mazelas. Talvez morra sem tirar uma conclusão que me satisfaça. Tenho formação católica, pois, minha família materna é composta de alemães católicos. Conheço as religiões africanas, pois minha família paterna é de escravos de Minas Gerais. Porém hoje não me sinto nem um nem outro. Tenho dificuldades com a reencarnação e com a ressurreição. Não sinto nenhuma força superior e não entendo a fé a não ser como um profundo otimismo. Porém isso tudo é desafiado e sofro um profundo abalo quando vejo a forma com que vocês do AJA "cuidam" das pessoas que amam. Senti tão profundamente o reencontro da Glória com vocês como se estivesse acontecendo comigo. Senti verdadeiramente a emoção do retorno e relembrei um passado que nunca tive. A cada pessoa que ela me apresentava, relatava um fato ou acontecimento ligado à aquela pessoa. Eu imaginava detalhadamente tudo que ela me contava como se tivesse vivido tudo aquilo. Vocês não sabem como fizeram a Glorinha feliz. Passei toda a minha vida com ela ouvindo falar de vocês, ouvindo as histórias, tentando imaginar a fisionomia de todos e reconhecendo as características particulares de cada um.
O reencontro de Glória com vocês me trouxe a reboque e esse convívio tem me ajudado a entender um pouco mais, ou pelo menos apaziguar minhas angústias em relação à vida, à morte, o ser e o não ser.
Por isso nesse momento de perda de uma amiga tão querida como a Rosi, e vendo o que isso provoca em seus corações, entendo que entender o amor é menos importante do que amar.
Buda dizia que um homem que se inquieta em demasia com essas perguntas metafísicas é como um homem ferido por uma flecha envenenada que, ao invés de retirá-la para diminuir o sofrimento, se preocupa com o nome de quem a atirou, de onde era, qual sua roupa e quem era seu pai.
( João )
