segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Lembranças...
Um mundo de lembranças diferentes e intensas se entrelaçam no meu interior. Queria fazer um poema, só os poetas conseguem dizer o indizível, porém a palavra calou dentro de mim.
A ela, generosa, audaciosa, irreverente, alegre, corajosa, devo minha vida. (Angela, calma! Você bóia? )
Com ela trabalhei nos tempos em que se podia andar livremente na Cidade de Deus, quadra 38, todo terceiro domingo de cada mês. Divergimos em tantas coisas, mas aprendemos a nos amar e compreender.Até aula de direção ela me deu nos tempos que os amigos podiam ensinar essas coisas básicas, o mundo era bem menos complicado.
Sua gargalhada e seu sorriso faziam bem a nossa alma. E as férias em Arraial do Cabo, os acampamentos e acantonamentos em Itatiaia! Parecia que tomava conta da gente o tempo todo, era "tarimbada" e atrapalhada também, mas a barraca ficava esticadinha e ela fazia um café gostoso como ninguém. Tínhamos em comum o gosto pela aventura, e eu, embora tímida e medrosa, fui aprendendo a com ela e Leonor, a me soltar.
A vida deu muitas voltas e nos separou, mas todo dia 15 de agosto a gente se telefonava, comemorando as nossas vidas resgatadas do mar.Hoje meu filho me disse:- “Mãe, se a Rosi não tivesse te salvo, eu não existiria.”
Por isso e por tudo o mais que eu não sei falar, ficou pra mim o grande respeito ao mistério que envolve cada ser humano. Só Tu, Pai, nos conheces a fundo e sabes nosso verdadeiro nome, nosso verdadeiro ser e toda a beleza que existe em cada um de teus filhos.
Rosi, o que posso te dizer, a não ser um "obrigado, por tudo e pra sempre, obrigado". E te pedir que agora, junto ao Pai intercedas por nós, por mim, para que a vida que você ajudou a resgatar seja digna. Tive e tenho muita honra em ser contada no rol de suas amigas, Laurinho deve estar feliz com sua chegada, os dois pescadores se reencontram. Amiga, até...
(Angela Reis)
